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GADIAMB B

Gadiamb B é um álbum que registra um processo, uma transformação, é a fotografia do momento. Já são quatro anos de ensaios desde a formação desta banda paulistana. No começo, a proposta era de um projeto de afro-funk com reverência à produção do gênero nos anos 70 em países como Gana, Nigéria e Benin. Ecoava a obra da Orchestre Poly-Rythmo de Cotonou, reverberava o legado de Ebo Taylor e levava para os palcos, além de um repertório próprio, versões de artistas como Peter King, Marijata, Ogyatanaa Show Band e Gyedu-Blay Ambolley. A audição deste trabalho atual é uma surpresa para quem conheceu a banda nesta fase anterior.

 

Nas sete faixas que compõe o novo repertório, a referência do afro-funk aparece em meio a tantas outras – do jazz à brasileira de Hermeto Pascoal, ao balanço caribenho e o soul-jazz norte-americano dos anos 70 – e alcança o inclassificável.  Não é exatamente jazz porque não tem tanto solo nem improviso. O rótulo do funk também seria uma redução. É possível identificar também algo de hip hop (timbres, a levada da bateria, um clima), mas passa longe de se enquadrar no estilo rap – até porque é um som predominantemente instrumental, exceção às participações vocais em duas faixas. É mais, vai além, tateia um novo território.

 

A formação clássica do rock and roll (guitarra, baixo e bateria) encontra um bom diferencial no uso da flauta de Paulo Bento. Este elemento interfere positivamente no DNA da banda, na construção do groove, cria riffs e estabelece um diálogo interessante com o baixo acústico de Matthieu Hebrard: o sopro agudo e as notas graves ora se entrelaçam em uma mesma cadência, ora disparam em direções diferentes e essa dinâmica oferece um bom equilíbrio. O uso recorrente do arco pelo baixista é outra boa sacada, que insere um som mais áspero e inesperado.

 

É interessante também a função assumida pela guitarra de Mauricio Freire. Até rola um solo ou outro, mas nunca recorre ao virtuosismo sem direção e geralmente ela serve mais ao ritmo com muito suingue na mão direita e uma boa conexão com a bateria versátil de Reka Ortega. O percussionista Romulo Nardes (Bixiga 70) é convidado em todas as faixas e contribui para deixar o todo o ambiente rítmico com um sabor mais latino. A cantora Juçara Marçal e o guitarrista Kiko Dinucci (ambos do Metá Metá) participam da balançadíssima “Marie Não Fui Eu”, um convite para remexer a cintura à moda do highlife nigeriano. Outra participação é da cantora Anaïs Sylla que improvisa em francês na faixa “Xangô”.

 

Há uma possível associação com o trabalho de bandas como a alemã Karl Hector & the Malcoms e a britânica Heliocentrics na combinação de várias influências para fazer surgir algo novo. O caminho está aberto e outras boas surpresas hão de surgir nas próximas curvas.

                                               Ramiro Zwetsch / Patuá Discos / Radiola Urbana / julho de 2018

 

Gadiamb abraça seu lado B

Banda lança o álbum Gadiamb B, agregando outros ritmos ao afro.

No auge da indústria do vinil, o lado A dos discos era destinado às músicas mais comerciais dos artistas, e no lado B se concentravam as mais alternativas e autênticas. Na visão de alguns deles, seus melhores trabalhos estavam ali.

Foi essa a inspiração da Gadiamb B para incluir um B em seu nome após a reformulação do seu trabalho, que surge mais instrumental e diversificado. O beat afro das baterias foi preservado, porém o som agora caminha para o groove, com influências do jazz e de ritmos brasileiros e latinos. Quem frequentou shows da Gadiamb alguns anos atrás pode não reconhecer a Gadiamb B nas sete faixas que compõem o primeiro trabalho da banda.

“Marie Não Fui Eu” resgata o highlife nigeriano e coloca todo mundo para dançar. Na curta letra bem humorada em francês e português, Marie tenta descobrir quem pegou seu croissant. Já em Xangô, Anaïs brinca com as palavras em francês para declarar: a Justiça é morta.

Apresentando uma fusão de ritmos dificilmente rotulável, o objetivo aqui é fazer boa música, livre de gêneros e modas.

 

Camila Melo / Ocio Cultura Brasil